domingo, 18 de junho de 2017

Hoje fomos ao baile... e no baile fizemos um minuto de silêncio... e começaram as perguntas. Lembrou-se do que tinha visto de relance na televisão, sentei-me numa cadeira e expliquei-lhe aquele minuto de silêncio.
"Mas explica-me mãe, de onde veio o fogo? E as pessoas? E os carros?"
Como explicar esta "tragédia da humanidade e do cosmos" (como lhe chamou um amigo meu da Grécia) a uma menina de 4 anos que diz tantas vezes "Eu estou sempre a pensar nos perigos..."? Como se explica que o fogo vem de todos os lados, que as pessoas morreram (62 é o número até esta hora) e que muitas delas estavam dentro dos seus carros? Como insistir que o mundo é um lugar seguro? Como ter segurança enquanto mãe de dizer à sua filha quando ela deita a cabeça na almofada esta noite que "está tudo bem meu amor"?

Alice, por detrás deste espelho seguro que te sou, também quebro e perante as notícias, fotografias, textos, imagens, vídeos que não te deixei ver, cresce-me um sentimento de profundo pesar e dor que não se compara nem a um milésimo de quem vive na primeira pessoa (singular e plural) esta "tragédia da humanidade e do cosmos"... e tal como os desenhos que tiveste necessidade de fazer... todos de seguida e que contavam sempre a mesma história ("do fogo que chega(...) e as pessoas(...) umas ficam e desmaiam (...) outras fogem e salvam-se(...) até ao último foguinho em que chega uma gota de água e apaga-o!) eu sinto necessidade de gritar, até sair um último grito que apague com todas as dores de todas as almas que de dor nesta hora padecem... E o grito pode ter tantas formas!

Um dia, tudo fará sentido mas até lá... continua a saltar feliz no chafariz... foi o meu momento preferido do dia!

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