segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A minha escola preferida e o amor

Os fins-de-semana são difíceis... sim vou usar essa palavra! Agarrada às minhas pernas lá anda ela enquanto aspiro, separo roupa, estendo roupa, lavo loiça, arrumo loiça, limpo pó, passo a ferro e tento enviar aqueles e-mails que ficam pendentes! Acho que os fins-de-semana são difíceis... para ela, que me quer a tempo inteiro e não compreende porque me tem de dividir com roupas e com aspiradores (e o ferro de engomar, ainda é mais difícil de entender)!

Então dou por ela a brincar com o aquecedor e a dizer "Aquecedor é amigo" e a dar de comida à flor-balão que o pai lhe fez... para a Alice tudo é passível de ser amado, até aquele elemento mais assustador. Porque o amor, para ela, é qualquer coisa que é "amigo" e que a faz sentir bem.

Dei por mim a admirá-la... gostava de ter amor assim por todas as coisas e seres mas fui perdendo-o à medida que envelheci.


A colega Déborah Moura com quem tive o privilégio de conviver na Universidade de Évora escreveu no seu perfil ontem: "A partir desta noite, o Sol renasce simbolicamente e a escuridão vai desaparecendo. (É desta antiga data pagã que se originou o Natal Cristão - nascimento do deus que trará a luz/sol ao mundo). Tempo de regeneração e mudança, o recolhimento na escuridão da terra - o hibernar para renovar-se. Ideal para despertarmos a criança que há em nós e renascermos com a sua pureza, alegria e confiança na luz interior. Momento propício à meditação, à introspecção, ao desapego." 

Depois disto, quero amar os aspiradores e os panos do pó... é um amor diferente mas faz parte de mim, do meu fim-de-semana e quero sentir-me bem e ser amiga.

Obrigada Alice. Os fins-de-semana são a minha escola preferida!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sobre o massacre...

Hoje abri o facebook e entre as mensagens de Natal, os desejos de bom ano e outros posts interessantes, apercebi-me que no Paquistão morreram centenas de crianças dentro de uma escola... foram assassinadas ontem e eu estou profundamente triste.

Um amigo uma vez perguntou se ele seria um bom pai ou se seria um pai cheio de sorte pelas filhas que tem... eu sinto tantas vezes uma bênção tão grande por estar aqui com a Alice cheia de força, energia e vitalidade e mesmo estando doente continua cheia de vida! Será ela também uma miúda cheia de sorte? Sim porque os pais levaram-na logo à pediatra (e nem teve que esperar horas nas urgências de um hospital), compraram a melhor medicação (nada de genéricos e afins) e inclusive os homeopáticos que são um luxo, faltaram três dias ao trabalho para que recebesse todo o mimo que precisa para se curar (mais até que a medicação!)... O que quero com tudo isto dizer, é que para além da profunda tristeza que sinto pelas crianças paquistanesas que morreram naquela escola, é que esta é a oportunidade minha e da Alice de estarmos conscientes neste mundo e de o transformarmos no nosso mundo-maravilha pois, apesar de existirem seres capazes de tamanha atrocidade, existem outros que, tal como as borboletas, se permitem à metamorfose.

Eu acredito na bondade e na pureza dos nossos actos e acredito que quando o fazemos por mal, qual institnto primitivo, também precisamos de ajuda. E a ajuda deve ser genuína e sobretudo começar dentro de nós próprios... um pássaro da alma que canta e encanta as suas emoções.

E o que é que tudo isto tem a ver com a Alice por detrás do espelho? O mundo é um espelho e nós não podemos escolher as imagens que nele se refletem mas podemos refletir as nossas próprias escolhas... e neste Natal Alice, eu escolho a tua genuína força, energia e vitalidade!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ligações e mandalas

Gosto quando as coisas se ligam, as pessoas se ligam, as histórias se ligam... e não falo apenas de comunicação mas daqueles laços invisíveis que vão de uma ponta a outra e nos aproximam. Eu estou ligada por estes laços a tanta coisa, pessoas e histórias que gostaria de ter uma vista panorâmica de todas as minhas ligações! Daria uma mandala ou algo do género... sinto que é importante atender ao quê que nos ligamos e a quem como se todas estas ligações dissessem um pouco mais de nós! Sim, como se comunicassem quem nós somos também!
Enquanto mãe e sobretudo enquanto espelho gostaria que a Alice me conhecesse com ligações positivas e construtivas... daquelas que me fazem bem e me deixam disponível, atenta e feliz! Se a mandala que a Alice vir em mim fôr colorida, forte, consistente e coerente talvez dali surja a sua mandala também... afinal gostaria que as suas ligações se iniciassem a partir dela própria! Para isso... os espelhos!
Ontem ela e o pai brincaram às borboletas... e eu senti-me perdidamente apaixonada pelos dois! Os laços invisíveis que me ligam a ela e a ele são como a intensidade do meu amor que com palavras não consigo espelhar.