As pessoas têm formas estranhas de comunicar... sobretudo os seus desejos! Sinto que é tão difícil por vezes decifrar, realmente, o que o Outro me está a transmitir... e sinto que normalmente tem por "detrás do espelho" um desejo profundo contido! Eu não sou pessoa de leitura fácil... talvez por isso seja também para mim difícil ler... os Outros!
Com a Alice é diferente. Parece que comunicamos da mesma forma, com as mesmas perguntas e respostas, o olhar é parecido e os desejos são mútuos. Quando me comunica, entre-linhas, um desejo eu sei que mais coisa menos coisa tem a ver com o "preciso de ti" ou "não preciso de ti". Às vezes há aquele do "podemos ficar juntas para sempre?" e eu assumo que o "para sempre" dela é tão pouco tempo para mim! Tem alturas que o NOSSO único desejo é que o tempo pare...
A Alice mudou a minha vida e a minha forma de ver as coisas... mas continuo com extrema dificuldade em decifrar o Outro... e não é que é esta a minha profissão!?!
sábado, 22 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Uma questão de perspectiva... e mais ou menos sono
Estes têm sido dias difíceis... em vários campos de batalha! Cá em casa Alice dorme pouco. Sempre dormiu e acho que este é um dos meus maiores desafios. Passamos em retrospetiva os dias, perguntamos no infantário e no fim de contas é impossível não me sentir culpada. Ou porque cheguei muito tarde, ou porque tinha o jantar para fazer e não lhe dei atenção, ou porque estava tão derrotada dos outros campos que neste me dei logo por vencida!
Gostava de olhar para a Alice e não me sentir culpada e é nisso que ando a trabalhar... Não é que consiga mudar muitas coisas cá fora mas por dentro quero mudar a essência. Ontem, no caminho de regresso, conectei-me com o meu dia, consciencializei-me do mais difícil e do impacto que isso tinha tido em mim e larguei o mais possível no caminho (por momentos o carro andou a 20 por mais vontade de carregar no pedal e chegar...). Claro que no caminho não ficou tudo mas quando cheguei também chegou a melhor parte. Então houve colo, abracinhos, elogios e muito tanto imenso amor! Ontem foi o dia do "tão giro" pela primeira vez mas também foi o dia em que me afoguei com ela na cama e, sem culpa me deixei dormir ao seu lado... não sei se fiz o melhor mas sei que dei o melhor de mim...
A noite não foi fácil mas a Alice dorme pouco... e já aceitei isso.
Agora ainda dorme... e eu estou desejosa que acorde para a encher de colo, abracinhos, elogios e muito imenso tanto amor...
Gostava de olhar para a Alice e não me sentir culpada e é nisso que ando a trabalhar... Não é que consiga mudar muitas coisas cá fora mas por dentro quero mudar a essência. Ontem, no caminho de regresso, conectei-me com o meu dia, consciencializei-me do mais difícil e do impacto que isso tinha tido em mim e larguei o mais possível no caminho (por momentos o carro andou a 20 por mais vontade de carregar no pedal e chegar...). Claro que no caminho não ficou tudo mas quando cheguei também chegou a melhor parte. Então houve colo, abracinhos, elogios e muito tanto imenso amor! Ontem foi o dia do "tão giro" pela primeira vez mas também foi o dia em que me afoguei com ela na cama e, sem culpa me deixei dormir ao seu lado... não sei se fiz o melhor mas sei que dei o melhor de mim...
A noite não foi fácil mas a Alice dorme pouco... e já aceitei isso.
Agora ainda dorme... e eu estou desejosa que acorde para a encher de colo, abracinhos, elogios e muito imenso tanto amor...
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Bella Torino
Uma das experiências mais inquietantes da minha vida foi o Erasmus... se é que lhe posso dar o nome do senhor. Muitas vezes sonho com Itália, as ruas, as casas maiores que a alma, o cheiro, as linhas do eléctrico, as praças, a comida, as esquinas e sobretudo as pessoas.
Enquanto mãe revisito muitas vezes aquela cidade, tida como industrial uma vez que lá nasceu a Fiat, mas para mim tão maternal! Turim cuidou de mim durante um ano, e cuidou daquela forma necessária mas tão bela que nos faz descobrir cada pedacinho de nós, por mais microscópico que seja, nas esquinas que cruzam as arcadas. Turim é a cidade-mãe. Devolveu-me amor e liberdade e permitiu-me SER por inteira tantas vezes.
Costumava dizer que depois do Erasmus percebi que o mundo era redondo, qual alusão ao ventre materno. Costumava também dizer que todas aquelas pessoas que se encontraram em Turim no ano 2003/2004 não eram tidas ao acaso. Tinha por vezes a sensação de que um dedo nos havia selecionado e colocado a todos ao mesmo tempo para sermos cuidados e amados e encontrados ao mesmo tempo.
Provavelmente os meus amigos espanhóis e italianos não conseguem ler a essência deste texto, mas queria dizer a todos e a cada um que foi Torino, a cidade do cinema e da Piazza Castello, do tredici e da sponda que me deu o melhor de mim em todos os encontros, desencontros e pontos de encontro.
E recordo a vista da Gran Madre... o triângulo... a maternidade!
Enquanto mãe revisito muitas vezes aquela cidade, tida como industrial uma vez que lá nasceu a Fiat, mas para mim tão maternal! Turim cuidou de mim durante um ano, e cuidou daquela forma necessária mas tão bela que nos faz descobrir cada pedacinho de nós, por mais microscópico que seja, nas esquinas que cruzam as arcadas. Turim é a cidade-mãe. Devolveu-me amor e liberdade e permitiu-me SER por inteira tantas vezes.
Costumava dizer que depois do Erasmus percebi que o mundo era redondo, qual alusão ao ventre materno. Costumava também dizer que todas aquelas pessoas que se encontraram em Turim no ano 2003/2004 não eram tidas ao acaso. Tinha por vezes a sensação de que um dedo nos havia selecionado e colocado a todos ao mesmo tempo para sermos cuidados e amados e encontrados ao mesmo tempo.
Provavelmente os meus amigos espanhóis e italianos não conseguem ler a essência deste texto, mas queria dizer a todos e a cada um que foi Torino, a cidade do cinema e da Piazza Castello, do tredici e da sponda que me deu o melhor de mim em todos os encontros, desencontros e pontos de encontro.
E recordo a vista da Gran Madre... o triângulo... a maternidade!
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Chegar a horas...
Certos dias chego mais cedo por acaso... e por acaso descubro que chegar mais cedo também é descobrir mais tempo novas coisas da Alice: palavras, expressões, formas de andar (com os braços para trás, muito decidida).
Chegar mais cedo é receber mais abraços, ter mais encontros de olhar mas sobretudo é o meu Eu estar muito mais disponível para o Tu exigente mas sincero da Alice. Ou porque não quer comer, ou porque quer brincar com os livros (da mãe), ou quer sentar-se numa cadeira em cima do sofá, ou quer fazer tudo isto ao mesmo tempo que quer colo e diz "é meu"!
Cá em casa somos seis... tenho dias em que somos mesmo seis mas tem outros em que somos menos... Hoje somos cinco (um de nós trabalha por turnos) mas estamos inteiros.
E depois chega a hora de ir dormir e a Alice atrasa-a o mais possível. Não importa se chegaste mais cedo mãe, o que me importa é que estás mesmo aqui...
Mãe mamã <3
Chegar mais cedo é receber mais abraços, ter mais encontros de olhar mas sobretudo é o meu Eu estar muito mais disponível para o Tu exigente mas sincero da Alice. Ou porque não quer comer, ou porque quer brincar com os livros (da mãe), ou quer sentar-se numa cadeira em cima do sofá, ou quer fazer tudo isto ao mesmo tempo que quer colo e diz "é meu"!
Cá em casa somos seis... tenho dias em que somos mesmo seis mas tem outros em que somos menos... Hoje somos cinco (um de nós trabalha por turnos) mas estamos inteiros.
E depois chega a hora de ir dormir e a Alice atrasa-a o mais possível. Não importa se chegaste mais cedo mãe, o que me importa é que estás mesmo aqui...
Mãe mamã <3
sábado, 1 de novembro de 2014
Sobre bruxas...
Gostava que a Alice gostasse de bruxas... num futuro! As bruxas são personagens cómicas e belas, usam roupas roxas e têm um ar sábio. E usam uma vassoura como meio de transporte o que é bastante ecológico.
No entanto, eu gostava que a Alice gostasse de bruxas porque não queria que ela sentisse medo delas. O medo assusta-me... e assusta-me que a Alice tenha medos.
Claro que há os medos protectores que são aqueles que nos permitem, enfim... (sobre)viver... mas há medos que, de facto nos impedem de viver e o medo das bruxas é um deles...
As bruxas são mulheres mágicas, belas e sensuais capazes de tocar no nosso íntimo e de nos revelar o nosso lado mais sombrio. É quando aceitamos o mesmo que passamos a não ter medo delas...
A Alice tem e terá este lado... o Outro Lado do Espelho do qual eu, muito provavelmente, não vou gostar... mas não quero ter medo dele. Quero aceitá-lo e dar-lhe o amor por inteiro, quero olhá-lo de frente e dizer-lhe o quanto também é importante: porque o todo é sempre maior do que a soma das suas partes.
Gostava que a Alice não tivesse medo das bruxas... porque isso também significa não ter medo do meu lado lunar!
Bem-Vindo Novembro...
No entanto, eu gostava que a Alice gostasse de bruxas porque não queria que ela sentisse medo delas. O medo assusta-me... e assusta-me que a Alice tenha medos.
Claro que há os medos protectores que são aqueles que nos permitem, enfim... (sobre)viver... mas há medos que, de facto nos impedem de viver e o medo das bruxas é um deles...
As bruxas são mulheres mágicas, belas e sensuais capazes de tocar no nosso íntimo e de nos revelar o nosso lado mais sombrio. É quando aceitamos o mesmo que passamos a não ter medo delas...
A Alice tem e terá este lado... o Outro Lado do Espelho do qual eu, muito provavelmente, não vou gostar... mas não quero ter medo dele. Quero aceitá-lo e dar-lhe o amor por inteiro, quero olhá-lo de frente e dizer-lhe o quanto também é importante: porque o todo é sempre maior do que a soma das suas partes.
Gostava que a Alice não tivesse medo das bruxas... porque isso também significa não ter medo do meu lado lunar!
Bem-Vindo Novembro...
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