quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Bella Torino

Uma das experiências mais inquietantes da minha vida foi o Erasmus... se é que lhe posso dar o nome do senhor. Muitas vezes sonho com Itália, as ruas, as casas maiores que a alma, o cheiro, as linhas do eléctrico, as praças, a comida, as esquinas e sobretudo as pessoas.

Enquanto mãe revisito muitas vezes aquela cidade, tida como industrial uma vez que lá nasceu a Fiat, mas para mim tão maternal! Turim cuidou de mim durante um ano, e cuidou daquela forma necessária mas tão bela que nos faz descobrir cada pedacinho de nós, por mais microscópico que seja, nas esquinas que cruzam as arcadas. Turim é a cidade-mãe. Devolveu-me amor e liberdade e permitiu-me SER por inteira tantas vezes.

Costumava dizer que depois do Erasmus percebi que o mundo era redondo, qual alusão ao ventre materno. Costumava também dizer que todas aquelas pessoas que se encontraram em Turim no ano 2003/2004 não eram tidas ao acaso. Tinha por vezes a sensação de que um dedo nos havia selecionado e colocado a todos ao mesmo tempo para sermos cuidados e amados e encontrados ao mesmo tempo.

Provavelmente os meus amigos espanhóis e italianos não conseguem ler a essência deste texto, mas queria dizer a todos e a cada um que foi Torino, a cidade do cinema e da Piazza Castello, do tredici e da sponda que me deu o melhor de mim em todos os encontros, desencontros e pontos de encontro.

E recordo a vista da Gran Madre... o triângulo... a maternidade!

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