quinta-feira, 29 de junho de 2017

Carta para a minha irmã...

Agora que estás nas 39, quero dizer-te tanta coisa... 
Antes de tudo, que te amo e que amo já a transbordar o ser perfeito que carregas no ventre. 
Que nestes últimos dias em que a ansiedade e a angústia aumentam, são dias perfeitos para colocares as mãos na enorme barriga e o sentires ainda dentro de ti pelas últimas vezes, sob o teu controlo e tão mas tão perto de ti. Isso não volta a acontecer, esse tão perto.
E que, apesar de já nem conseguires apertar os cordões dos sapatos e de seres um balão a levantar voo, que é aí, nessa abundância toda que está a tua missão. 
Estou desejosa de o conhecer e desejosa de te ver ser sua mãe, com toda a experiência que já tens de ser quase mãe dos outros, sempre foste aquela que tomava conta das primas, que tinha jeito com os miúdos, que até tem essa profissão... Agora vais ser mãe... e o Miguel vai ser o teu filho! E eu vou ser tia do Miguel... e vou continuar a ser a tua irmã! Tanta coisa nova... tanta coisa que se mantém. E muda tudo como se acontecesse uma revolução interna. O mundo passa a ter outra forma, outro cheiro, outra razão... e o que era importante antes, deixa simplesmente de te importar porque só te importa essa razão. 
E vais ter tantas perguntas que vou deixar o telemóvel sempre com som para que me possas ligar sempre que quiseres. E essa vai ser a parte mais difícil para mim... tal como foi para ti! Estarmos longe uma da outra... estarmos longe dos nossos bebés! Não consigo escrever-te sobre esta distância geográfica que foi e é uma escolha minha, cada vez mais, mas consigo escrever-te que nesta distância te tenho um espaço tão grande e enorme que te sinto todos os dias quando me levanto (como quando éramos pequenas e acordávamos com o pai a chamar!) e que todos os dias uma parte daquilo que sou, foi dada por ti, pela pessoa/mulher/agoramãe que vi e vejo, mesmo à distância, crescer. 
Confio em ti minha irmã, e tenho a certeza que em poucos dias vou ver-Vos e escrever sobre aquela imagem que vai ser ver-te com o Miguel ao colo (e a Alice a espreitar...). 
Até lá, são 39 e um dia... coloca as mãos na barriga, lê-lhe o coração de mãe e promete-lhe por mim que a tia estará por perto... o mais perto que se está quando se vive no coração. 
Amor de tia... 

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